segunda-feira, 20 de junho de 2016



Algumas frases de Santo Tomás de Aquino sobre a caridade.

Questões disputadas: Questões disputadas sobre as virtudes, Questão 2


Artigo 3: Se a caridade é uma forma das virtudes.


Argumenta
“A forma dá o ser e a espécie àquele da qual é forma. As virtudes são formas poque são certas perfeições. As virtudes são as perfeições das potências da alma”.

Respondeo
“A caridade é a forma, motor e raiz das virtudes”.

“O ato de todas as virtudes se ordena ao fim próprio da caridade, que é o seu objeto, a saber, o sumo Bem”.

“O bem é objeto da fé enquanto verdadeiro e objeto da esperança enquanto desejável e acessível, mas ambos dependem da caridade que tem o bem como objeto enquanto apetecível. Ninguém crê, a não ser querendo. Ninguém deseja um bem a não ser porque o ama.”

“Diz-se que toda virtude ou potência superior move a inferior por meio do império. (...) Como todas as outra virtudes se ordenam ao fim da caridade, seus respectivos atos são imperados pela caridade e, por causa disso, diz-se que a caridade é motor delas.”

Responsiones ad argumenta
“A virtude é uma boa qualidade da mente, com a qual se vive retamente, pois não se vive retamente a não ser pela nossa vida que se ordena a Deus; que é o que faz a caridade”.

“Da caridade pode-se dizer forma exemplar das virtudes, (...) enquanto [estas] operam à sua semelhança; e, por isso, sempre que é necessário operar segundo a virtude, é necessária a caridade”.

“O intelecto é absolutamente anterior à vontade, porque o bem inteligido é objeto da vontade. Mas, no operar e no mover, a vontade é anterior. (...) Por isso, também a vontade move o próprio intelecto, enquanto é operativo, pois, nos valemos do intelecto quando queremos. Daí que o crer é o intelecto movido pela vontade (pois cremos em algo porque queremos). Segue-se que a caridade dá mais forma a fé do que o inverso”.


“Quando as coisas são mais elevadas do que o que entende, então a vontade se eleva mais acima de onde pode chegar o entendimento. E, por isso, nas coisas morais, que estão abaixo do homem, a virtude cognitiva informa as virtudes apetitivas, como o faz a prudência em relação às outras virtudes morais. Contudo, nas virtudes teologais, que são a cerca de Deus, virtude da vontade, a saber, a caridade, informa a virtude do intelecto, a saber, a fé”.

sábado, 28 de maio de 2016



“Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa”. (Lc 7, 6)


Viver debaixo do olhar de Deus é uma experiência extraordinária. A presença do Altíssimo é como uma casa onde podemos habitar, é nossa segurança nas adversidades e contrariedades. Entretanto, é verdade, muitas vezes parece que Deus está escondido: nós não o vemos! Por isso, a porta de entrada para a casa de Deus, ou, se preferir, para que o Todo Poderoso entre em nossa casa humilde, é a fé.

Fé é, ao mesmo tempo, graça de Deus e convicção, dom divino e trabalho humano. No Evangelho deste domingo, Jesus não entrou na casa do centurião, mas, sem dúvida, entrou em seu coração. Aquele homem tinha fé. Por isso foi elogiado por Jesus.

Lembro aquela passagem do apocalipse: “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (3, 20). Muitos ainda não sentiram o calor consolador da presença de Deus, na verdade esta experiência é uma graça extraordinária e imerecida, não um fato corriqueiro e automático (ou mecânico). Peça a Deus! Abra a porta! E Ele, com alegria, entrará. Senhor, aumenta a minha fé!

Catecismo, 164-165: Por enquanto porém, ‘caminhamos pela fé e não vemos claramente’ (2 Cor 5, 7), e conhecemos Deus ‘como num espelho, de maneira confusa, [...] imperfeita’ (1 Cor, 13, 12). Luminosa por parte d'Aquele em quem ela crê, a fé é muitas vezes vivida na obscuridade, e pode ser posta à prova. O mundo em que vivemos parece muitas vezes bem afastado daquilo que a ,fé nos diz: as experiências do mal e do sofrimento, das injustiças e da morte parecem contradizer a Boa-Nova, podem abalar a fé e tornarem-se, em relação a ela, uma tentação. É então que nos devemos voltar para as testemunhas da fé: Abraão, que acreditou, ‘esperando contra toda a esperança’ (Rm 4, 18); a Virgem Maria que, na ‘peregrinação da fé’, foi até à ‘noite da fé’, comungando no sofrimento do seu Filho e na noite do seu sepulcro; e tantas outras testemunhas da fé: ‘envoltos em tamanha nuvem de testemunhas, devemos desembaraçar-nos de todo o fardo e do pecado que nos cerca, e correr com constância o risco que nos é proposto, fixando os olhos no guia da nossa fé, o qual a leva à perfeição’ (Heb 12, 1-2)”.


Papa Francisco: Compreendo as pessoas que se vergam à tristeza por causa das graves dificuldades que têm de suportar, mas aos poucos é preciso permitir que a alegria da fé comece a despertar, como uma secreta, mas firme confiança, mesmo no meio das piores angústias: ‘A paz foi desterrada da minha alma, já nem sei o que é a felicidade (…). Isto, porém, guardo no meu coração; por isso, mantenho a esperança. É que a misericórdia do Senhor não acaba, não se esgota a sua compaixão. Cada manhã ela se renova; é grande a tua fidelidade. (...) Bom é esperar em silêncio a salvação do Senhor’ (Lm 3,17.21-23.26)”. (EG, 6)

terça-feira, 24 de maio de 2016



“Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que o Espírito receberá e vos anunciará, é meu”. (Jo 16, 15)


O mistério da Santíssima Trindade é central em nossa fé, pois é o mistério do Deus que cremos e amamos. Na verdade, é isso que qualquer pessoa pode pedir ao seu amigo: Não precisamos entender todo mundo, mas podemos aceitá-los e amá-los. Quanto mais amamos, mais queremos conhecer-nos, e mais vamos amando-nos uns aos outros.

Também com Deus é assim: Não precisamos entender Deus até o fundo de seu mistério, mas, ainda assim, podemos crer, aceitar e amar a Deus. A vontade de conhecer mais a Deus precisa ser fruto do amor, não da crítica, da dúvida ou do tédio. Tem gente que se perde em uma especulação quase “científica” de Deus. Isso não é humano e nem real... é pura ficção.

Já imaginou se nós só nos relacionássemos nesta vida com quem nós entendemos completamente? Se pedíssemos currículos, prontuários e laudos de todos os nossos amigos ou parentes? Pois é! Isto não é humano e nem real. Relacionar-se é aceitar riscos, é aceitar e amar, é fazer o outro crescer e crescer durante o processo. Bendito seja o Deus que se deu a conhecer: Glória ao Pai ao Filho e ao Espírito Santo!

Catecismo 257: “‘O lux beata Trinitas etprincipalis Unitas – Oh luz, Trindade bendita. Oh primordial Unidade’! Deus é beatitude eterna, vida imortal, luz sem ocaso. Deus é amor: Pai, Filho e Espírito Santo Livremente, Deus quer comunicar a glória de sua vida bem-aventurada. Este é o 'desígnio' de benevolência (Ef 1,9) que ele 'concebeu desde antes da criação do mundo no seu Filho bem-amado predestinando-nos à adoção filial neste' (Ef 1,5), isto é, 'a reproduzir a imagem do seu Filho' (Rm 8,29) graças ao 'Espírito de adoção filial' (Rm 8,5). Esta decisão prévia é uma 'graça concedida antes de todos os séculos' (2Tm 1,9), proveniente diretamente do amor trinitário. Ele se desdobra na obra da criação, em toda história da salvação após a queda, nas missões do Filho e do Espírito, prolongadas pela missão da Igreja.

Papa Francisco: “O mistério da Trindade fala também da nossa relação com o Pai, o Filho e o Espírito Santo, pois esta ‘família divina’ não está fechada em si própria, mas é aberta e comunica-se na criação e na história. Assim, a Festa da Santíssima Trindade convida-nos a empenharmo-nos nos acontecimentos do quotidiano para ser fermento de comunhão, de consolação e de misericórdia” (22/05/2016).

quarta-feira, 11 de maio de 2016



SEMINÁRIO DIOCESANO DA IMACULADA CONCEIÇÃO
Formação Humana para a Filosofia - 04/05/2016

O material que compartilhamos é fruto de uma reflexão comunitária dirigida no contexto de uma aula de formação humana. É possível que alguns termos precisem ser melhor esclarecidos e outros provavelmente são passíveis de contra-argumentos. Aceitamos todos os comentários e correções que enriqueçam a reflexão. Obrigado.

1. O que há de negativo na sexualidade?
Muitas vezes a sexualidade é vista com “maus olhos”, mas, no entanto, ela é a ponte que existe entre o “eu” e o “tu”. Ela é o modo de expressão de nosso interior (modo de ser e sentir), leva-nos a um outro que nos completa e plenifica. O que há de negativo na sexualidade é fruto de seu mau uso (por ignorância ou incapacidade). Pois, a sexualidade que deveria ser uma ponte, pode querer tomar o lugar de ponto final, ídolo sem rosto das ações humanas. Seu mau uso cria no homem vícios que o levam a fechar-se cada vez mais em si mesmo e a usar o outro de modo cada vez mais egoísta e violento.

2. Como se controla uma energia incontrolável?
A energia sexual é muitas vezes qualificada de “incontrolável”. Na verdade, todas as energias do universo tem uma fisionomia determinada, um ritmo, uma ordem. Assim também a energia sexual. Mas isso não significa que ela seja incontrolável. Para controlar a criação o homem precisa passar por dois estágios, que coexistirão de modo criativo por toda a vida: o conhecimento (pela experiência, pelo estudo e pelo conselho dos sábios) e o trabalho, que cria soluções e estruturas para o fim desejado.

3. A sexualidade leva ao outro pela via da pobreza.
Esta frase exige certa meditação. De fato, não há autossuficiência na criação, todos os seres criados são dependentes de outros semelhantes e, por isso, a pobreza de um ser vivo o levará sempre a procurar outro que o complete. Isto acontece desde as estruturas biológicas mais básicas, até as mais complexas relações pessoais. Assim, a pobreza ontológica não é um mal que devemos superar, mas é uma constatação sobre nossa condição de criaturas, que devemos amar e viver com equilíbrio. Não crescemos quando somos “independentes do mundo”, mas quando sabemos nosso lugar, quando nos integramos ao Plano de Deus e vivemos com gratidão os dons que recebemos todos os dias de todos os que convivem conosco, contribuindo positivamente para o crescimento de todos em Cristo. Na verdade, só em um ambiente de interação social o homem pode descobrir-se, desenvolver-se e identificar-se.

4. Onde está o amor na sexualidade?
O amor é a essência da sexualidade, pois caracteriza sua doação sadia. Toda relação sadia é amorosa. Sem o amor não há relação fecunda, mas somente jogo de interesses, desconfiança, egoísmo e fechamento em si mesmo.

5. O que você entende por capacidade oblativa da sexualidade?
A sexualidade – modo sexuado de relacionamento com o outro, condição primária de qualquer relação humana – é feita para a doação, para a oblação. A verdadeira satisfação da sexualidade não está em reter o bem no indivíduo, mas comunicá-lo. Isto pode parecer mais claro no relacionamento matrimonial, mas para o consagrado oblação sexual ocupa, também, lugar de destaque. Pois sua sexualidade deve ser entendida como oblação amorosa e total a Deus e ao pobre de amor, feita como um ato consciente baseado na predileção e, consequentemente, na renúncia.

6. Em que âmbitos a sexualidade seria infecunda?
A sexualidade é a base de todas as relações humanas e, ao mesmo tempo, é fecunda em novas formas de relação, visando o bem pessoal e comum. Entretanto, quando perde seu foco original e deteriora-se em egoísmo e violência, a sexualidade torna-se uma energia destrutiva, infecunda e geradora de morte.

7. Sexualidade e humildade.
A sexualidade bem vivida é, ao mesmo tempo, fruto e condição para o domínio de si mesmo. O homem, quando não é escravo das próprias paixões, acaba descobrindo, com a ajuda de Deus, seu verdadeiro lugar no universo. O homem que busca a virtude da humildade pode olhar objetivamente suas limitações e sua responsabilidade ante Deus, o próximo, si mesmo e a criação, não como um fardo, mas como o caminho natural de seu crescimento como ser humano. Caminho tanto mais desejado e luminoso, quanto maior é a humilde aceitação de si mesmo para que possa crescer no amor.

8. “Para muitos, melhor não estarem completamente livres de tentações; convém, ao contrário, que sejam, amiúde, delas combatidos, a fim de que não confiem, demasiadamente, em si mesmos, nem se exaltem com a soberba, nem tampouco busquem com ânsia as consolações exteriores”[1].
Neste caso, a confiança demasiada em si mesmo é um mal, pois é uma ilusão que leva homem a colocar-se temerariamente em ocasiões perigosas, das quais, humanamente, não poderá fugir ou vencer sem uma especial intervenção divina. Os mestres de espiritualidade veem nesta ignorância do homem sobre sua real condição a principal arma do demônio, do mundo e da carne para desviá-lo do bom caminho.

Para reflexão: ICor 13,1-13
1 Se eu falasse as línguas dos homens e as dos anjos, mas não tivesse amor, eu seria como um bronze que soa ou um címbalo que retine. 2 Se eu tivesse o dom da profecia, se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, se tivesse toda a fé, a ponto de remover montanhas, mas não tivesse amor, eu nada seria. 3 Se eu gastasse todos os meus bens no sustento dos pobres e até me entregasse como escravo, para me gloriar, mas não tivesse amor, de nada me aproveitaria. 4 O amor é paciente, é benfazejo; não é invejoso, não é presunçoso nem se incha de orgulho; 5não faz nada de vergonhoso, não é interesseiro, não se encoleriza, não leva em conta o mal sofrido; 6não se alegra com a injustiça, mas fica alegre com a verdade. 7 Ele desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo. 8 O amor jamais acabará. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência desaparecerá. 9 Com efeito, o nosso conhecimento é limitado, como também é limitado nosso profetizar. 10 Mas, quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito. 11 Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando me tornei adulto, rejeitei o que era próprio de criança. 12 Agora nós vemos num espelho, confusamente; mas, então, veremos face a face. Agora, conheço apenas em parte, mas, então, conhecerei completamente, como sou conhecido. 13 Atualmente permanecem estas três: a fé, a esperança, o amor. Mas a maior delas é o amor.


[1] Sæpe meliores in existimatione hominum magis periclitati sunt propter nimiam suam confidentiam. Unde multum utilius est, ut non penitus tentationibus careant, sed sæpius impugnentur ne nimium securi sint, ne forte in superbiam eleventur, ne etiam ad exteriores consolationes licentius declinent. O, qui nunquam transitoriam lætitiam quæreret, qui nunquam cum mundo se occuparet, quam bonam conscientiam servaret. O, qui omnem vanam sollicitudinem amputaret, et duntaxat salutaria ac divina cogitaret, et totam spem suam in Domino constitueret, quam magnam pacem et quietem possideret. (Imitatio Christi, I, 20, 4): Muitas vezes os melhores no conceito dos homens correram graves perigos, por sua demasiada confiança. Por isso, para muitos é melhor não serem de todo livres de tentações, mas que sejam frequentemente combatidos, para que não confiem demasiadamente em si, nem se exaltem com soberba, nem tampouco busquem com ânsia as consolações exteriores. Oh! Quem nunca buscasse alegria transitória, nem deste mundo cuidasse, que consciência pura teria! Oh! Quem arredasse todo vão cuidado, para só cuidar das coisas salutares e divinas, pondo toda a sua confiança em Deus, de que grande paz e sossego gozaria!

terça-feira, 10 de maio de 2016



Algumas frases de Santo Tomás de Aquino sobre a caridade.

Questões disputadas: Questões disputadas sobre as virtudes, Questão 2


Artigo 2: Se a caridade é uma virtude.


Respondeo
“A virtude torna bom quem a possui e torna boa a sua obra, é manifesto que o homem, conforme a própria virtude, se ordena a seu próprio bem”.

“Porque a virtude é praticada para o bem, requer-se para qualquer virtude que ela opere bem para alcançar o bem, isto é, voluntária e prontamente, com deleite e, também, firmemente, pois estas são as condições para a obra virtuosa, que não podem convir para alguma operação, a não ser que quem opere ame o bem pelo qual atua, já que o amor é o princípio de todos os afetos voluntários”.

“Aquilo que se ama se deseja enquanto não se tem, e produz deleite enquanto se tem, e os obstáculos que impedem ter o amado causam-lhe tristeza. E as coisas que se fazem por amor se fazem também com firmeza, prontamente e com deleite. Portanto, para a virtude se requer o amor do bem, pelo qual se pratica a virtude”.

“O homem, para que seja admitido pela graça divina na participação da beatitude celeste, que consiste na visão e fruição de Deus, age como cidadão e sócio dessa sociedade bem-aventurada, que se chama Jerusalém celeste (...). Por isso, certas virtudes gratuitas, que são as virtudes infusas, convêm ao homem, assim destinado aos céus, para cuja operação se exige anteriormente o amor do bem comum de toda a sociedade, que é o bem divino, enquanto é objeto da bem-aventurança”.

“Amar do bem de uma cidade (virtude do político) ocorre de dois modos: um modo para que a tenha, outra para que a conserve. No entanto, amar o bem de uma cidade para que a tenha ou a possua, não torna bom o político, porque também o tirano ama o bem de uma cidade para dominá-la. Ora, isso é amar mais ele mesmo do que a cidade, pois deseja esse bem para si, não para a cidade. Ora, amar o bem da cidade para conservá-la e para defendê-la, isto é, de fato, amar a cidade, é o que torna bom um político, como alguns, por causa da conservação do bem da cidade, se expõe aos perigos de morte e descuidam o bem privado”.

“(A caridade) que ama a Deus por ele mesmo e aos próximos que são capazes da beatitude, assim como a si mesmos. (Esta) repugna todos os impedimentos para si mesma e para os outros. Por isso, a caridade nunca pode existir com o pecado mortal, que é um impedimento da beatitude”.

Responsiones ad argumenta
“A dificuldade (em adquirir a virtude) não apenas provém da contrariedade, mas também da excelência do objeto”.

“O amor, segundo o que está na parte sensitiva, é uma paixão, que é certamente o amor do bem, mas conforme os sentidos. No entanto, tal amor não é o amor da caridade”.

“O objeto da caridade, a saber, Deus, transcende toda faculdade humana. Por isso, por mais que a vontade humana se esforce para amar a Deus, ela não pode alcançá-Lo quanto a proporção de que deve ser amado. E, por isso, diz-se não haver uma medida para a caridade”.

“Os dons (do Espírito Santo) aperfeiçoam as virtudes, elevando-as para além do modo humano (...). Ora, a acerca do amor de Deus, não existe nele imperfeição alguma que seja necessária aperfeiçoar por meio de algum dom. Por isso, a caridade não se põe como um dom da virtude, porque é mais excelente do que todos os dons”.