sexta-feira, 25 de março de 2016

Passos dolorosos de Jesus.

- O cristão recorda os passos dolorosos de Jesus com fé, pois sabe que Ele ressuscitou. O caminho do Calvário é o caminho que leva da morte à Vida. Não há caminho para a Vida sem cruz, nem Vida verdadeira sem Jesus.


1ª Estação: Jesus é condenado à morte.

“Pilatos perguntou: ‘Que farei com Jesus, que é chamado o Cristo? ’. Todos gritaram: ‘Seja crucificado! ’ Pilatos falou: ‘Mas, que mal ele fez? ’. Eles, porém, gritaram com mais força: ‘Seja crucificado! ’”. (Mt 27, 22-23)


2ª Estação: Jesus toma a cruz aos ombros.

“Então Jesus disse aos discípulos: ‘Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar sua vida a perderá; e quem perder sua vida por causa de mim a encontrará. De fato, que adianta a alguém ganhar o mundo inteiro, se perde a própria vida? Ou que poderá alguém dar em troca da própria vida? ’”. (Mt 16, 24-26)


3ª Estação: Jesus cai por terra.

“‘O servo não é maior do que o seu senhor ’. Se me perseguiram, perseguirão a vós também. E se guardaram a minha palavra, guardarão também a vossa. Eles farão tudo isso por causa do meu nome”. (Jo 15, 20-21)


4ª Estação: Jesus encontra-se com sua mãe.

“Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe: ‘Este menino será causa de queda e de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição – uma espada traspassará a tua alma! – e assim serão revelados os pensamentos de muitos corações’”. (Lc 2, 34-35)


5ª Estação: Simão de Cirene carrega a cruz de Jesus.

“Ao saírem,encontraram um homem chamado Simão, que era de Cirene, e o obrigaram a carregar a cruz de Jesus”. (Mt 27, 32)


6ª Estação: Verônica enxuga o rosto de Jesus.

“Não fazia vista, nem tinha beleza a atrair o olhar, não tinha aparência que agradasse. 3 Era o mais desprezado e abandonado de todos, homem do sofrimento, experimentado na dor, indivíduo de quem a gente desvia o olhar, repelente, dele nem tomamos conhecimento”. (Is 53, 2-3)


7ª Estação: Jesus cai pela segunda vez.

“Eram na verdade os nossos sofrimentos que ele carregava, eram as nossas dores, que levava às costas. E a gente achava que ele era um castigado, alguém por Deus ferido e massacrado. Mas estava sendo traspassado por causa de nossas rebeldias, estava sendo esmagado por nossos pecados. O castigo que teríamos de pagar caiu sobre ele, com os seus ferimentos veio a cura para nós”. (Is 53, 4-5)


8ª Estação: Jesus consola as mulheres de Jerusalém.

“Seguia-o uma grande multidão do povo, bem como de mulheres que batiam no peito e choravam por ele. Jesus, porém, voltou-se para elas e disse: ‘Mulheres de Jerusalém, não choreis por mim! Chorai por vós mesmas e por vossos filhos! ’”. (Lc 23, 27-28)


9ª Estação: Jesus cai pela terceira vez.

“‘Vigiai e orai, para não cairdes em tentação; pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca’. Jesus afastou-se pela segunda vez e orou: ‘Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, seja feita a tua vontade! ’”. (Mt 26, 41-42)


10ª Estação: Jesus é despido de Suas vestes.

“Depois que crucificaram Jesus, os soldados pegaram suas vestes e as dividiram em quatro partes, uma para cada soldado. A túnica era feita sem costura, uma peça só de cima em baixo. Eles combinaram: ‘Não vamos rasgar a túnica. Vamos tirar sorte para ver de quem será’”. (Jo 19,23-24)


11ª Estação: Jesus é pregado na cruz.

“Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali crucificaram Jesus e os malfeitores: um à sua direita e outro à sua esquerda. Jesus dizia: ‘Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem! ’”. (Lc 23, 33-34)


12ª Estação: Jesus morre na cruz.

“Um dos malfeitores crucificados o insultava, dizendo: ‘Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!’ Mas o outro o repreendeu: ‘Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma pena? Para nós, é justo sofrermos, pois estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal’. E acrescentou: ‘ Jesus, lembra-te de mim, quando começares a reinar’. Ele lhe respondeu: ‘Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso’. Já era mais ou menos meio-dia, e uma escuridão cobriu toda a terra até às três da tarde, pois o sol parou de brilhar. O véu do Santuário rasgou-se pelo meio, e Jesus deu um forte grito: ‘Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito’. Dizendo isto, expirou. O centurião, vendo o que acontecera, glorificou a Deus dizendo: ‘Realmente! Este homem era justo!’ E as multidões que tinham acorrido para assistir à cena, viram o que havia acontecido e foram embora, batendo no peito”. (Lc 23, 39-48)


13ª Estação: Jesus é descido da cruz.

“Um soldado golpeou-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água. Aquele que viu dá testemunho, e o seu testemunho é verdadeiro; ele sabe que fala a verdade, para que vós, também, acrediteis. (...) Depois disso, José de Arimatéia pediu a Pilatos para retirar o corpo de Jesus; ele era discípulo de Jesus às escondidas, por medo dos judeus. Pilatos o permitiu. José veio e retirou o corpo”. (Jo 19, 34-35.38)


14ª Estação: Jesus é depositado no sepulcro.

“Veio também Nicodemos, aquele que anteriormente tinha ido a Jesus de noite; ele trouxe uns trinta quilos de perfume feito de mirra e de aloés. Eles pegaram o corpo de Jesus e o envolveram, com os perfumes, em faixas de linho, do modo como os judeus costumam sepultar. No lugar onde Jesus foi crucificado havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ninguém tinha sido ainda sepultado”. (Jo 19, 39-41)

- O cristão recorda os passos dolorosos de Jesus com fé, pois sabe que Ele ressuscitou. O caminho do Calvário é o caminho que leva da morte à Vida. Não há caminho para a Vida sem cruz, nem Vida verdadeira sem Jesus.

segunda-feira, 14 de março de 2016

"Quem me segue não andará nas trevas" (Jo 8, 12)


Sempre gostei de me colocar no lugar daqueles que ouviram Jesus em seus discursos. Ele é surpreendente para a sociedade de hoje, que já o conhece há 2000 anos, imagine “naquele tempo”! O Evangelho diz alguma coisa sobre seus ouvintes e o que as palavras de Jesus despertavam neles: acusação, espanto, penitência, indiferença, alegria..., e até tristeza.

Tenho certeza, porém, que nunca faltarão os que se maravilham diante das palavras de vida eterna: "Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”.

Tem coisas na vida que não dá para improvisar. O encantamento é assim! Para se deixar prender pelas palavras de Jesus é necessária uma busca constante por caminhar na luz. Na verdade, quem experimenta caminhar na luz se sente seguro, e as trevas perdem o seu “encanto”. Só o fato de ouvir falar da luz já traz conforto ao coração. - Jesus, não me deixe nas trevas! Vem, seja a minha luz!

Catecismo 748: “‘Sendo Cristo a Luz dos Povos, este sacrossanto Sínodo, congregado no Espírito Santo, deseja ardentemente anunciar o Evangelho a toda a criatura e iluminar todos os homens com a claridade de Cristo que resplandece na face da Igreja’. É com estas palavras que começa a ‘Constituição dogmática sobre a Igreja’ do Concílio Vaticano II. Com isso, o Concílio mostra que o artigo de fé sobre a Igreja depende inteiramente dos artigos concernente a Cristo Jesus. A Igreja não tem oura luz senão a de Cristo; segundo uma imagem cara aos Padres da Igreja, ela é comparável à lua, cuja luz toda é reflexo do sol”.

Francisco: Temos necessidade desta luz, que vem do Alto, para corresponder coerentemente à vocação que recebemos. Anunciar o Evangelho de Cristo não é uma opção que podemos fazer de entre muitas, nem é uma profissão. Para a Igreja, ser missionária não significa fazer proselitismo; para a Igreja, ser missionária equivale a exprimir a sua própria natureza: ser iluminada por Deus e refletir a sua luz. Esse é o seu serviço. Não há outra estrada. A missão é a sua vocação, refletir a luz de Cristo é o seu serviço. Quantas pessoas esperam de nós este serviço missionário, porque precisam de Cristo, precisam de conhecer o rosto do Pai!” (06/01/2016)

sábado, 12 de março de 2016

“Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”. (Jo 8, 11)


O mais fácil nem sempre corresponde ao mais correto. Sabendo da queda de Jesus pelos pecadores – e a misericórdia, muitas vezes, é vista como fraqueza –, os mestres da lei e os fariseus querem dividir o coração do Mestre trazendo-lhe uma pecadora. Na cabecinha pequena daqueles homens, Jesus seria colocado ante um dilema: se ele absolvesse a mulher, se condenaria por não respeitar a Lei de Moisés; se cumprisse a lei da lapidação, salvaria a própria pele, mas perderia a máscara de bonzinho. Mas o Senhor não entrou neste jogo.

Como é fácil condenar! Atirar pedras! “Cair fora” e deixar o irmão em maus lençóis! Frente aos homens que prestam honra uns aos outros, mas que também acusam-se e condenam-se mutuamente, Jesus apresenta a verdade de Deus, ante a qual todos somos pecadores: “Aquele que não tiver pecado, atire a primeira pedra”.

Todos deverão concordar que a justiça ideal deveria reabilitar o culpado, não simplesmente condená-lo: “Vai e não peques mais”. Realmente, ninguém se endireita à pedradas: só a misericórdia muda o homem. Deus, quando perdoa, oferece uma segunda chance ao pecador. Todo mundo deveria ter a chance de um novo começo. Não desperdicemos a oportunidade!

Catecismo 1848: “Como afirma S. Paulo: ‘Onde avultou o pecado, a graça superabundou’ (Rm 5, 20). Mas, para realizar seu trabalho, deve a graça descobrir o pecado, a fim de converter nosso coração e nos conferir ‘a justiça para a vida eterna, por meio de Jesus Cristo, Nosso Senhor’ (Rm 5, 21). Como médico que examina a ferida antes de curá-la, assim Deus, por sua Palavra e por seu Espírito, projeta uma luz viva sobre o pecado”.

Papa Francisco: O perdão é uma força que ressuscita para uma vida nova e infunde a valentia para olhar o futuro com esperança”. (MV, 10)

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo.9Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás”.
(Lc 13, 8-9)


Ante a miséria humana – estéril, infecunda, infértil – só há uma resposta: a misericórdia. Por isso a Palavra de Deus sempre uniu a figura do justo a do intercessor. Não temos vagas para santos egoístas! No Reino de Deus não cabe quem pede fogo do céu sobre os pecadores, mas quem intercede em favor dos seus irmãos. Assim: Abraão, José do Egito, Moisés, Judite, Ester e todos os santos da história da Igreja (Nossa Senhora!!!J), e, no centro, Jesus Cristo, que veio para procurar quem estava perdido e morreu dizendo: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. – Obrigado, amado Jesus!

A bondade de Deus que suscita intercessores – Ele mesmo intercede por nós – também sabe conduzir os filhos rebeldes ao arrependimento. Neste campo: “tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8, 28).

O lugar das nossas provações, das nossas lágrimas, dos nossos sofrimentos, inclusive dos nossos pecados, é aos pés da Cruz de Jesus Cristo. Estas realidades exigentes e difíceis são como o esterco para o crescimento de nossa santidade. A questão é que o esterco deve estar no lugar certo: no sulco de nossa humildade, onde será depositada a semente da Palavra. Não se põe titica em cima dos frutos colhidos! Não exponha seu sofrimento como se fosse o legado da sua vida, mas use-os para crescer. Seja, com a graça de Deus, mais um dos muitos casos de superação, para o seu bem e para o bem dos teus irmãos!

Catecismo 1501: "A enfermidade pode levar a pessoa à angústia, a fechar-se sobre si mesma e, às vezes, ao desespero e à revolta contra Deus. Mas também pode tornar a pessoa mais madura, ajudá-la a discernir em sua vida o que não é essencial, para voltar-se àquilo que é essencial. Não raro, a doença provoca uma busca de Deus, um retorno a Ele".

Francisco: "Realmente, no pobre, a carne de Cristo «torna-se de novo visível como corpo martirizado, chagado, flagelado, desnutrido, em fuga... a fim de ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós» (MV, 15). É o mistério inaudito e escandaloso do prolongamento na história do sofrimento do Cordeiro Inocente, sarça ardente de amor gratuito na presença da qual podemos apenas, como Moisés, tirar as sandálias (cf. Ex 3, 5); e mais ainda, quando o pobre é o irmão ou a irmã em Cristo que sofre por causa da sua fé". (Mensagem para a Quaresma 2016)

sábado, 27 de fevereiro de 2016

“Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado” (Lc 15, 31-32)


Misterioso é o coração humano! Não conseguimos enxergar muita coisa quando olhamos para nós mesmos, por isso, talvez, Jesus contasse parábolas, para que “julgando” outros, nós fossemos capazes de julgar a nós mesmos.

Por trás do filho obedientíssimo, pode esconder-se um grande egoísta: alguém que usa o crachá de filho, mas se comporta como um mercenário. Com olhos na herança do Pai, cioso em não dividir nada com ninguém e, pior, capaz de alegrar-se com a morte do irmão mais fraco.

Jesus é o Filho que reflete a perfeita imagem do Pai misericordioso. Cala nossas explicações vazias com um abraço de misericórdia e aponta um novo caminho: a misericórdia. Esta centelha da luz de Deus bem pode aliviar nosso coração dos fardos do egoísmo, da autoreferencialidade, da mania de perseguição, da ganância, do ódio fratricida.

Catecismo 589: “Jesus escandalizou sobretudo porque identificou sua conduta misericordiosa para com os pecadores com a atitude do próprio Deus para com eles. Chegou ao ponto de dar a entender que, partilhando da mesa dos pecadores, os estava admitindo ao banquete messiânico. Mas foi particularmente ao perdoar os pecados que Jesus deixou as autoridades religiosas de Israel diante de um dilema. Foi isto que disseram com razão, cheios de espanto: ‘Só Deus pode perdoar os pecados’ (Mc 2, 7). Ao perdoar os pecados, ou Jesus basfema – pois é um homem que se iguala a Deus –, ou diz a verdade, e sua pessoa torna presente e revela o nome de Deus”.


Francisco: “Deus é um pai zeloso, atento, pronto para acolher qualquer pessoa que dê um passo ou que tenha o desejo de dar um passo em direção à casa. Ele está ali a observar o horizonte, nos aguarda, já está à nossa espera. Nenhum pecado humano, por mais grave que seja, pode prevalecer sobre a misericórdia ou limitá-la”. (O nome de Deus é misericórdia, p. 85)